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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Memória


Liberto do tacão do dogma,
da guerra e do dízimo,
Deus pode revelar sua
verdadeira face:
a liberdade em todo seu
esplendor e glória.

Deixa então de nos assombrar,
de carecer de sentido.
Embriaga-se, sai à rua.
Vira amigo de mesa de bar,
anjo caído.
Dispensa a fé e seu rapapé.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Caráter

The walking man, de Rodin: um meio em si mesmo

No início, era ainda pele,
arrepios.
Algum torpor.
Mas depois vieram as formigas
por sobre os sapatos.
E, sobre os restos
da ceia na lapela,
outros insetos.
À esquina,
pequenos roedores
atavam-lhe aos joelhos.
Logo, logo

terça-feira, 16 de junho de 2015

Madrugador

"Aurora Boreal", de Michael Creese: o sonho é quando?

Para Antonio José Maia e Ronaldo Salgado

Madrugador,
o olhar acorda.
Escuro de um sobressalto.
Na dúvida,
já é cedo?
Ou ainda é ontem?
Pergunta a
musculatura
retesada.
Ainda é véspera?
Essa noite finda,
reminiscência só,
de si, teimando
em sonhos prescritos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

À luz de velas



Pornografia
pode

bem ser
o
recalque,

às vezes
desvio,

de uma
cumplicidade
que não
veio.

No jantar à
luz
de
velas,

aniversário
de 20 anos

de casados,

por isso, essa
falta de jeito.

Ali, só
os dois.

E esse
garçom que
nunca

chega.

E esse guardanapo
de linho
à minha
frente,

que nunca
terminamos

de dobrar.

A pornografia,
essa tristeza
feito contradança
que se dança
sozinho:

mesmo
a dois.

À luz de
velas.

Bem pode
ser.