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sábado, 6 de junho de 2015

Millôr, um jornalista "sem fins lucrativos"

Millôr: "Nostalgia é nostalgia. Nem sempre é má. Só não dá quando
a vida toda ficou lá atrás, e já não era grande coisa". 

Em 2003, um jovem repórter entrevistava Millôr Fernandes para o jornal O POVO. Graças à generosidade de um amigo, esbarrei com essa entrevista pululando nos últimos dias pelas timelines do Facebook. Decidi reeditar por aqui para me reecontrar com a genialidade de um dos últimos grandes humoristas brasileiros. É o que segue...

Às vésperas de seu aniversário não-oficial de 80 anos, Millôr Fernandes, o mestre do humorismo brasileiro, diz que nunca brigou com ninguém na imprensa brasileira e que a idade reduziu seu potencial a 30%
Aos 18 anos, quando foi no cartório tirar a cópia da certidão de nascimento para finalmente fazer sua carteira de identidade, Milton Fernandes descobriu que, graças à caligrafia barroca do tabelião, seu nome fora registrado de um jeito diferente. No documento, a barra do t virara um acento circunflexo e o  n final ficara parecido com um r. Como a alteração do documento custaria 300 contos de réis, Milton achou por bem manter a nova grafia. Virou Millôr Fernandes.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A cultura como reparação

Paulo Linhares em foto de Rodrigo Carvalho, do O POVO:
a cultura como impotência civilizatória? 
Em entrevista ao caderno Vida & Arte, na edição de hoje do O POVO, o sociólogo Paulo Linhares,  presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) – motor criativo e gerencial do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - afirmou que “política de cultura não é uma política de reparação social”. A frase se deu em meio a uma (boa) reportagem feita pela jornalista Raphaelle Batista, em que Paulo rebate algumas tantas críticas ao Porto Iracema das Artes, núcleo de formação do Dragão, e anuncia o porvir da instituição, a partir de outras tantas parcerias.
“Reparação social, quem quiser fazer, vá fazer na área social. Eu faço política de cultura, não tenho que reparar nada”, disparou. “Acho absurdo cobrar das políticas culturais reparações sociais. Sou contra esses contratos que dizem assim: ‘em contrapartida a um espetáculo você faz não sei o que, não sei o que social’. Pra que isso? A gente não está aqui para fazer reparação social. Se a gente fizer cultura bem feita, a gente está fazendo mudança social muito mais veloz, com muito mais competência”.
Provocador inteligente e de inegável competência midiática, Paulo certamente se fiou em sua verve publicitária para tentar defender e legitimar sua cria. Um projeto que pode ser considerado tão mais audacioso quanto mais compreendermos quão miserável ainda é o Ceará, estado que já há uns bons 30 anos convive com a sombra do próprio Paulo nos bastidores ou nos holofotes das políticas públicas de cultura.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A fraude têxtil e o vácuo institucional

Cruzamento da Alberto Nepomuceno com José Avelino,
no Centro de Fortaleza: a feira e o vácuo institucional
Ao longo desta semana, o jornal O POVO tem publicado uma corajosa e minuciosa série de reportagens, assinadas pelo repórter Claudio Ribeiro, sobre as movimentações milionárias (e fraudulentas) de empresas que abastecem o comércio popular de Fortaleza, a exemplo do comércio têxtil da José Avelino, no Centro. Tem tubarão nesse ramo que chega a faturar mais de R$ 1 bilhão (isso mesmo, caro leitor, R$ 1 BI)  por ano com a venda de roupas e tecidos, sonegando somas igualmente imorais. O esquema envolve empresários e contadores, num "negócio" que vai se estendendo por vários quarteirões (e também galpões) da área. 
Entretanto, para além do aspecto financeiro-econômico, o que mais chama atenção nesse caso é a questão da (falta de) fiscalização/controle urbano. O vácuo institucional que cerca a feira da José Avelino constitui uma enorme desmoralização a quem de direito.