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| Paulo Linhares em foto de Rodrigo Carvalho, do O POVO: a cultura como impotência civilizatória? |
Em entrevista ao caderno Vida & Arte, na edição de hoje do
O POVO, o sociólogo Paulo Linhares,
presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) – motor
criativo e gerencial do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - afirmou que
“política de cultura não é uma política de reparação social”. A frase se deu em
meio a uma (boa) reportagem feita pela jornalista Raphaelle Batista, em que
Paulo rebate algumas tantas críticas ao Porto Iracema das Artes, núcleo de
formação do Dragão, e anuncia o porvir da instituição, a partir de outras
tantas parcerias.
“Reparação social, quem quiser fazer, vá fazer na área
social. Eu faço política de cultura, não tenho que reparar nada”, disparou.
“Acho absurdo cobrar das políticas culturais reparações sociais. Sou contra esses
contratos que dizem assim: ‘em contrapartida a um espetáculo você faz não sei o
que, não sei o que social’. Pra que isso? A gente não está aqui para fazer
reparação social. Se a gente fizer cultura bem feita, a gente está fazendo
mudança social muito mais veloz, com muito mais competência”.
Provocador inteligente e de inegável competência midiática, Paulo
certamente se fiou em sua verve publicitária para tentar defender e legitimar sua cria. Um projeto que pode ser considerado tão mais audacioso
quanto mais compreendermos quão miserável ainda é o Ceará, estado que já há
uns bons 30 anos convive com a sombra do próprio Paulo nos bastidores ou nos
holofotes das políticas públicas de cultura.
