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terça-feira, 26 de maio de 2015

O debate à beira do abismo

A vidraça e a violência: a palavra perdida volta como bala perdida

O psicanalista e professor da USP Christian Dunker escreveu esta semana, no blog da editora Boitempo, uma brilhante resposta a Rodrigo Constantino, colunista da revista Veja. Sua tréplica é, provavelmente, o texto mais produtivo aos que quiserem compreender a quantas anda e qual a lógica do debate público no Brasil. Em especial, num momento em que a direita e o pensamento conservador tentam rebaixar as pautas e as perspectivas dos debates, numa desonesta inversão de argumentos. E também numa perigosa direção de intolerância e violência.

Lembrei de Nietzsche e de seu alerta segundo o qual, ao se combater "monstros", há que se cuidar, aquele que combate, para não acabar se tornando um "monstro" ele próprio. "Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você", diz o filósofo alemão. Hoje, o que temos no Brasil, é o abismo do ódio, da ignorância e da intolerância a espreitar de muito perto os que se propõem a pensar o País para além de meia dúzia de chavões preconceituosos e frases feitas.  E aí nos vem a fadiga, o fastio. A sensação de que não vale a pena. De que temos de começar tudo do zero para dar conta do ponto sumário em que certos debatedores querem manter o diálogo.