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| O livro-tabu: uma nobiliarquia urbana de fraudulenta cepa |
Há uns 50 anos, no seu insuperável "Aldeota", o grande Jáder de Carvalho já descascava a origem criminosa de grandes fortunas de Fortaleza e do Ceará - baseadas, sobretudo, na pilhagem imobiliária e no contrabando. Sobre o livro, aliás, ainda hoje pesa a insustentável leveza do silêncio de boa parte da imprensa local e dos circuitos literários tupinambás.
A lembrança de Jáder e do livro deve-se ao fato de que, recentemente, seguidas operações da Polícia Federal e do Ministério Público, por aqui e alhures, têm confirmado seu vaticínio e lançado luzes sobre outras tantas figuras do nosso "high society" de fraudulenta cepa. A mesma elitezinha canastrona que vai às ruas pedir "ética" e clamar pelo "fim da corrupção" - aquela turma que, como bem diz Tom Zé, faz suas orações uma vez ao dia e depois manda a consciência junto com os lençóis para a lavanderia -, vira e mexe, de uns tempos pra cá, vem escorregando em manchetes de jornal ou postagens da blogosfera e aparecendo de "grampo na mão".
